História do Fusca brasileiro – Fuscão 1500, 1300 L, 1600 e Bizorrão nos anos 1970

Introdução

Se a década de 1960 consolidou o Fusca como o automóvel do povo, os anos 1970 representaram sua maturidade.

Nunca antes a Volkswagen investira tanto no aperfeiçoamento do modelo. O Fusca tornou-se mais potente, confortável, seguro e refinado, atingindo o auge de sua popularidade justamente quando a concorrência começava a se modernizar.

Um novo Brasil

O início da década de 1970 coincidiu com um período de grande crescimento econômico no Brasil, conhecido como Milagre Econômico Brasileiro.

A renda média da população urbana aumentava, novas rodovias eram inauguradas, as viagens de férias tornavam-se mais comuns e o automóvel passava a representar independência.

Nesse cenário, o Fusca já era o carro mais vendido do país. Mas a Volkswagen sabia que precisava evoluir.

Modelos como Chevrolet Opala, Ford Corcel, Dodge 1800 e, posteriormente, Fiat 147 começavam a oferecer soluções mais modernas. Era necessário responder.

O nascimento do Fuscão 1500

Em 1970, a Volkswagen lançou aquele que provavelmente é o Fusca brasileiro mais famoso de todos os tempos: o Fuscão 1500.

O novo motor tinha 1.493 cm³ e produzia aproximadamente 52 cv SAE. Pode parecer pouco atualmente, mas na época representava um enorme salto.

O torque aumentava significativamente, as retomadas eram melhores, as ultrapassagens tornavam-se mais seguras e as viagens em estrada mudavam completamente.

Pela primeira vez, o Fusca parecia realmente forte.

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Muito mais do que um motor novo

O Fuscão não recebeu apenas aumento de cilindrada. A Volkswagen aproveitou para revisar diversos componentes.

Entre as novidades estavam:

  • freios maiores;
  • nova relação de transmissão;
  • embreagem reforçada;
  • pneus mais largos;
  • suspensão recalibrada.

O comportamento do carro mudou bastante. A estabilidade melhorou, o conforto também, e o Fusca tornou-se muito mais agradável para viagens.

O capô com entradas de ar

Uma das características mais marcantes do Fuscão era o capô traseiro.

Pela primeira vez, surgiam grandes entradas de ventilação, necessárias para alimentar o motor 1500 com maior volume de ar.

Essas grelhas acabariam se tornando uma das principais formas de identificar as diferentes gerações do Fusca. Ao longo dos anos, seu número aumentaria progressivamente.

O painel evolui

Embora mantivesse o tradicional velocímetro central, o acabamento tornou-se mais sofisticado.

O Fusca recebeu novos revestimentos, melhor isolamento acústico, bancos mais confortáveis e materiais de melhor qualidade.

A Volkswagen entendia que o consumidor queria um carro simples, mas já esperava certo nível de refinamento.

O Fusca 1300 continua

Mesmo com o lançamento do Fuscão, o tradicional motor 1300 permaneceu em produção.

A estratégia era simples: oferecer duas opções. O 1300 atendia quem buscava economia, enquanto o 1500 era destinado aos consumidores que desejavam maior desempenho.

Essa política ampliou ainda mais o público da Volkswagen.

O Fusca 1300 L

Pouco tempo depois surgiu outra versão importante: o 1300 L.

O "L" significava Luxo. A versão recebia diversos itens diferenciados, como:

  • frisos cromados;
  • acabamento interno superior;
  • bancos mais confortáveis;
  • detalhes exclusivos.

Hoje, o Fusca 1300 L está entre as versões mais procuradas por colecionadores.

A chegada do motor 1600

A evolução continuou. No meio da década, apareceram versões equipadas com motor 1600.

Esse propulsor representava o máximo da evolução do tradicional boxer refrigerado a ar produzido no Brasil.

Oferecia maior torque, melhor desempenho e excelente confiabilidade. Era um motor praticamente indestrutível quando recebia manutenção adequada.

O lendário Fusca 1600S

Em 1974 surgiu um dos Volkswagen mais desejados pelos apaixonados pela marca: o Fusca 1600S.

Conhecido popularmente como Bizorrão, recebia diversas modificações:

  • motor com carburação dupla;
  • maior potência;
  • painel exclusivo;
  • rodas esportivas;
  • faixas decorativas;
  • suspensão recalibrada;
  • visual diferenciado.

Era o Fusca mais esportivo já produzido oficialmente pela Volkswagen do Brasil. Até hoje, exemplares preservados alcançam valores elevados entre colecionadores.

As mudanças anuais

Durante toda a década, a Volkswagen continuou promovendo pequenas alterações.

Lanternas traseiras

As lanternas traseiras receberam novos formatos, melhor iluminação e maior área refletiva.

Para-choques

Os para-choques passaram por reforços estruturais e receberam novos suportes.

Bancos

Os bancos ganharam novos sistemas de regulagem, maior conforto e melhor ergonomia.

Volante

O volante passou por mudanças de desenho, novos materiais e maior preocupação com absorção de impactos.

Sistema elétrico

Diversos componentes tornaram-se mais confiáveis. Em algumas versões, novos alternadores substituíram antigos dínamos.

A crise do petróleo

Em 1973 ocorreu um dos eventos mais importantes da história da indústria automobilística: a crise mundial do petróleo.

O preço dos combustíveis disparou e grandes automóveis passaram a ser vistos como pouco econômicos.

Enquanto muitos fabricantes sofreram, o Fusca ganhou ainda mais força. Seu baixo consumo tornou-se uma enorme vantagem.

A Volkswagen intensificou campanhas destacando economia e confiabilidade.

O Fusca e o Proálcool

No final da década surgiu outro capítulo importante.

O governo brasileiro lançou o Programa Nacional do Álcool, conhecido como Proálcool. Diversas montadoras iniciaram estudos para motores movidos a etanol.

A Volkswagen também começou a adaptar seus motores boxer. Esses desenvolvimentos preparariam o caminho para os Fuscas a álcool dos anos 1980.

Um carro para qualquer oficina

Outro fenômeno curioso ocorreu nessa década: praticamente toda oficina mecânica brasileira sabia reparar um Fusca.

Peças existiam em abundância, motores podiam ser desmontados rapidamente e o conhecimento técnico espalhou-se por todo o país.

Essa facilidade de manutenção ajudou enormemente a consolidar o sucesso do modelo.

O Fusca na cultura brasileira

Nos anos 1970, o Fusca estava em toda parte.

Nas novelas, filmes nacionais, propagandas, quadrinhos, postos de gasolina, praias, fazendas, pequenas cidades e grandes capitais.

Era praticamente impossível caminhar alguns minutos sem encontrar um Volkswagen. Ele tornara-se um verdadeiro símbolo do Brasil.

Produção recorde

Ao longo da década, a Volkswagen bateu sucessivos recordes de fabricação.

Milhares de Fuscas deixavam diariamente a fábrica Anchieta. Grande parte seguia para exportação, enquanto outra abastecia o mercado interno.

O Brasil transformou-se em um dos maiores produtores mundiais do modelo.

Curiosidades

O Fuscão 1500 foi inicialmente recebido com desconfiança por alguns consumidores, mas rapidamente tornou-se um enorme sucesso.

O apelido Bizorrão surgiu por causa do aspecto robusto e esportivo do Fusca 1600S.

A crise do petróleo de 1973 acabou beneficiando as vendas do Fusca.

O boxer 1600 brasileiro é considerado por muitos preparadores um dos motores refrigerados a ar mais resistentes já produzidos.

Diversos Fuscas da década de 1970 ainda circulam diariamente graças à grande disponibilidade de peças de reposição.

O fim da década

Ao chegar ao final dos anos 1970, o Fusca parecia invencível.

Era líder absoluto de vendas, possuía imagem extremamente positiva e sua mecânica era reconhecida mundialmente.

Mas uma nova geração de automóveis começava a surgir: tração dianteira, motores refrigerados a água e hatchbacks modernos.

Esses carros mudariam completamente o mercado nos anos seguintes. O Fusca precisaria enfrentar seu maior desafio.

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Continua na Parte 12

Na próxima parte, abordaremos os anos 1980, uma década marcada por profundas transformações.

A Parte 12 deve mostrar a chegada do Gol, o avanço da tração dianteira, o lançamento dos Fuscas movidos a álcool, a queda gradual das vendas, o encerramento da produção em 1986 e o retorno do modelo em 1993 durante o governo Itamar Franco.

Também analisaremos as últimas versões brasileiras e o encerramento definitivo da produção em 1996.

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