História do Fusca – Anos 1980, Fusca a álcool, fim da produção e Fusca Itamar

Introdução

Poucos automóveis tiveram uma carreira tão longa quanto o Volkswagen Fusca.

Depois de dominar o mercado brasileiro durante mais de duas décadas, ele começou a enfrentar uma nova geração de concorrentes. Muitos acreditavam que sua história terminaria em 1986.

No entanto, um acontecimento inesperado faria o Fusca voltar às linhas de produção e escrever um dos capítulos mais curiosos da indústria automobilística brasileira.

Um novo mercado

Os anos 1980 começaram de forma muito diferente da década anterior.

A indústria automobilística evoluía rapidamente e os consumidores buscavam automóveis mais modernos. As palavras da moda eram:

  • tração dianteira;
  • motor transversal;
  • maior espaço interno;
  • melhor aerodinâmica;
  • economia de combustível.

O Fusca permanecia praticamente igual em sua concepção básica: motor traseiro, refrigeração a ar e tração traseira.

Embora extremamente confiável, seu projeto já completava mais de quarenta anos.

O nascimento do Gol

Em 1980, a Volkswagen apresentou o automóvel que substituiria gradualmente o Fusca: o Volkswagen Gol.

Inicialmente equipado com motor boxer refrigerado a ar montado na dianteira, o Gol representava uma mudança radical na filosofia da empresa.

Pouco depois, receberia motores da família EA827 refrigerados a água, consolidando definitivamente uma nova geração de veículos Volkswagen.

Curiosamente, o Gol não substituiu imediatamente o Fusca. Durante vários anos, os dois modelos conviveram lado a lado.

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O Fusca a álcool

O Brasil vivia um momento particular.

Após a segunda crise do petróleo, o governo incentivava fortemente o uso do etanol. O Programa Nacional do Álcool, conhecido como Proálcool, estimulava todas as montadoras a desenvolverem motores movidos a combustível vegetal.

A Volkswagen adaptou o tradicional boxer para funcionar com álcool.

O desafio era grande. Motores refrigerados a ar trabalham em temperaturas diferentes dos motores refrigerados a água. Foi necessário recalibrar diversos componentes, como:

  • taxa de compressão;
  • carburador;
  • ignição;
  • sistema de partida.

O resultado agradou. O Fusca a álcool apresentava excelente desempenho. Em regiões mais frias, porém, a partida a frio continuava sendo um desafio para muitos proprietários.

Novas melhorias

Mesmo próximo do fim de sua carreira, o Fusca continuava evoluindo.

Alternador

O alternador substituiu definitivamente o antigo dínamo, oferecendo maior capacidade elétrica e melhor confiabilidade.

Sistema de ventilação

O sistema de ventilação recebeu novos dutos, melhor circulação de ar e maior conforto para os ocupantes.

Acabamento

O acabamento recebeu novos tecidos, painel atualizado, materiais mais resistentes e maior qualidade de montagem.

Segurança

A Volkswagen promoveu melhorias estruturais, novos cintos de segurança e coluna de direção com maior capacidade de absorção de impactos.

A concorrência aumenta

O mercado brasileiro mudava rapidamente.

Chegavam ou se consolidavam novos concorrentes, como:

  • Fiat Uno;
  • Chevrolet Chevette;
  • Volkswagen Gol;
  • Ford Escort;
  • Ford Del Rey;
  • Chevrolet Monza.

Todos ofereciam soluções mais modernas, como motores refrigerados a água, tração dianteira, maior espaço interno e melhor aproveitamento da cabine.

O Fusca continuava competitivo pelo preço e pela confiabilidade, mas seu projeto já demonstrava limitações.

O fim da produção em 1986

Em 1986, a Volkswagen anunciou o encerramento da produção do Fusca no Brasil.

Era o fim de uma era.

Durante mais de vinte e cinco anos, o modelo havia liderado o mercado nacional. Milhões de brasileiros aprenderam a dirigir em um Fusca, milhares de famílias viajaram nele e incontáveis histórias foram construídas ao volante do pequeno Volkswagen.

Seu desaparecimento gerou enorme comoção. Muitos acreditavam que aquele seria o adeus definitivo.

O inesperado retorno

Mas a história ainda reservava uma surpresa.

Em 1993, durante o governo do presidente Itamar Franco, surgiu a proposta de incentivar a produção de automóveis populares.

Conta-se que Itamar, admirador declarado do Fusca, sugeriu à Volkswagen que retomasse sua fabricação.

A empresa estudou a viabilidade do projeto. Boa parte do ferramental ainda existia, a mecânica permanecia conhecida e a demanda por um automóvel simples e barato era real.

Assim nasceu o chamado Fusca Itamar.

O Fusca Itamar

A produção foi retomada em agosto de 1993.

Visualmente, o automóvel permanecia muito semelhante aos modelos anteriores, mas diversas melhorias haviam sido incorporadas:

  • sistema elétrico revisado;
  • acabamento atualizado;
  • bancos mais confortáveis;
  • novos materiais internos;
  • melhor tratamento anticorrosivo;
  • motor 1600 com ignição eletrônica.

Apesar da boa recepção inicial, o mercado brasileiro já havia mudado profundamente.

O consumidor agora buscava hatchbacks modernos, tração dianteira, quatro portas e maior porta-malas. O Fusca já não era mais o automóvel ideal para esse novo perfil.

O último Fusca brasileiro

Em 1996, a Volkswagen encerrou novamente sua produção, dessa vez de forma definitiva.

O último exemplar brasileiro saiu da fábrica de São Bernardo do Campo sob grande emoção.

Era o encerramento de uma trajetória iniciada oficialmente em 1959.

Ao todo, mais de 3 milhões de Fuscas foram produzidos no Brasil, tornando o país um dos maiores centros de fabricação do modelo em todo o mundo.

O México assume a liderança

Enquanto o Brasil encerrava sua produção, o México continuava fabricando o Fusca.

Lá, o modelo ainda possuía grande aceitação, principalmente como táxi na Cidade do México.

Os tradicionais Fuscas verdes e brancos tornaram-se um dos cartões-postais da capital mexicana.

A produção seguiria até 2003.

Um clássico instantâneo

Curiosamente, poucos meses após deixar de ser produzido, o Fusca começou a valorizar.

Colecionadores passaram a procurar exemplares originais, as primeiras restaurações completas apareceram, clubes especializados cresceram e encontros nacionais passaram a reunir centenas de veículos.

O automóvel deixava de ser apenas um meio de transporte. Transformava-se definitivamente em patrimônio histórico.

Curiosidades

O Fusca voltou a ser produzido em 1993 por incentivo do governo federal, em uma iniciativa popularmente associada ao presidente Itamar Franco.

Os modelos produzidos entre 1993 e 1996 ficaram conhecidos como Fusca Itamar.

Muitos componentes utilizados nessa fase receberam melhorias de qualidade em relação aos modelos dos anos 1980.

O último Fusca brasileiro saiu da linha de montagem em 1996, mas a produção mundial continuou no México até 2003.

Atualmente, o Fusca Itamar é uma das versões mais valorizadas entre colecionadores devido à produção relativamente curta.

O nascimento de um mito

Quando a produção terminou em 1996, encerrava-se apenas a fabricação.

A história do Fusca estava longe do fim. Na verdade, ela estava apenas mudando de fase.

A partir daquele momento, o Volkswagen passou a ser visto de forma diferente.

Não era mais apenas um carro usado. Era um automóvel histórico, um objeto de coleção, um patrimônio da engenharia e um símbolo de uma época em que simplicidade e robustez caminhavam lado a lado.

Essa transformação ajudaria a explicar o crescimento do antigomobilismo brasileiro nas décadas seguintes.

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Continua na Parte 13

Na próxima parte, entraremos em um dos capítulos mais técnicos de toda a obra: a evolução mecânica do Fusca.

A Parte 13 deve analisar em profundidade os motores boxer 1100, 1200, 1300, 1300 L, 1500, 1600, 1600S e as versões a álcool, explicando diferenças, características mecânicas, pontos fortes, pontos fracos, manutenção, desempenho e curiosidades.

Também deve abordar a evolução da suspensão, transmissão, sistema elétrico e demais componentes, criando um verdadeiro guia técnico para proprietários, restauradores e colecionadores.

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